CASO ELIZETE LEMOS COMPLETOU 18 ANOS SEM UMA DEFINIÇÃO



Elizete Lemos
O caso Elizete Moura Lemos completou neste dia 10 de novembro 18 anos, sem que a Justiça tem uma posição definitiva do que teria acontecido. A menina, se viva fosse, hoje estaria com 28 anos. Ela foi raptada morta e jogada no leito do rio Pataxó, que fica nas imediações de sua residência na comunidade de Arapuá, no município de Ipanguaçu, região do Vale do Açu no Rio Grande do Norte. A menina sumiu durante um pastoriu (festa popular) em frente a sua casa e o corpo foi encontrado 3 dias depois boiando no rio. Quatro delegados trabalharam investigando o caso. Antônio Fernando dos Santos, na época delegado regional de Mossoró, foi o primeiro. As investigações não progrediram. O segundo a trabalhar no caso foi o Major Láercio Costa, já falecido. Também não conseguiu avançar com as investigações. O terceiro delegado a trabalhar no caso foi Plácido Medeiros, designado em regime especial pelo então governador Garibaldi Filho para solucionar o caso. Não conseguiu avançar. O quarto delegado a trabalhar no caso foi Geraldo Luiz de Albuquerque, que mediante meios duvidosos de investigação, conseguiu prender sete suspeitos e posteriormente a confissão de dois, Wollace Fernandes e Carlúzia Fernandes. Dias depois os dois declararam que foram torturados. Na versão deste delegado, a menina teria sido raptada e morta num ritual de magia negra. Esta informação deixou a população revoltada. Foram realizados vários protestos pedindo por justiça na região do Vale do Açu. Alguns realizados pelo Padre Canindé de Assu. O caso transcorreu ao longo dos anos com várias ocorrências em função da morte de Elizete Moura Lemos. Em 2003, durante o julgamento que os réus foram absolvidos em Assu, o pai de Elizete Moura, Manoel Moura Lemos, passou mal e morreu do coração quando concedia entrevista. Este julgamento onde os principais suspeitos foram absolvidos foi derrubado no Tribunal de Justiça do Estado. O processo foi separado. O réu Heleno de Gelon foi julgado em separado e foi condenado a quase 20 anos de prisão. Já se encontra em liberdade. Os demais foram realizadas outras tentativas de julgamento, tendo sido condenados e o Tribunal de Justiça derrubou de novo. O último julgamento que teve foi na cidade de Ipanguaçu, ocasião que os réus foram condenados. Antes deste julgamento, uma ré no processo, no caso Luzialba Pinto Fernandes, foi assassinada a tiros pelo irmão de Elizete Moura. Este rapaz pouco tempo depois apareceu morto na localidade de São José, zona rural do Alto do Rodrigues. Wollace Fernandes, que diz ter sido torturado com choques elétricos para confessar o crime, hoje está imobilizado. Alega que adoeceu (doença de Wilson) em função dos choques que sofreu e o tempo que passou preso injustamente pelo crime. O fato real é que se passaram 18 anos e não se tem certeza do que teria acontecido no caso Elizete Moura. 18 anos de mistério que se transformou em um processo de 16 mil páginas no Fórum Municipal de Ipanguaçu.
Por César Alves

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